Caótico dos Infernos – 3

Tudo o que eu mais queria nos dias seguintes era ir para a escola. Ela faltou na sexta-feira e o fim de semana foi uma tortura. Domingo à tarde aconteceu uma coisa que serve como exemplo da minha sorte: eu fiquei doente. Uma virose qualquer, dessas que todo mundo tem, me deixou de cama a semana inteira. Eu estava sem notícias, sem poder sair de casa e muito, muito puta. O Dario me ligou um dia.

– E aí, como você está?

– Dario, minha vida é tão ruim que deve ser feita de soja.

Nós conversamos um tempo, depois eu continuei lá, deitada, assistindo os DVDs de Friends do meu irmão.

Sim, eu tenho um irmão, o Francisco. Elis e Chico, eu sei. Pode fazer piadinhas à vontade, meu pai que escolheu. Ele era músico. Depois que eles se separaram eu e meu irmão ficamos com a minha mãe, ele mudou de cidade. O pai vai, o nome fica.

Lá pela quinta-feira eu já me sentia bem, mas minha mãe achou melhor eu descansar. Ela não fazia ideia da tortura pela qual eu estava passando. No sábado eu descobri a minha música da sorte.

Estava assistindo MTV, começou a tocar Nem 5 minutos guardados, dos Titãs (http://www.youtube.com/watch?v=e2nqyfmHR1U) e quando chegou o refrão um milagre aconteceu. Meu celular tocou, era ela.

– Alô?

– Elis? Você tá bem? O Paulo disse que você estava doente… Eu fiquei preocupada…

Ela parecia nervosa. Adorei isso.

– Eu? Não, já estou boa! Aproveitei para faltar… Já estou de saco cheio de ir pra escola…

Deus, como eu menti mal.

– Ah, sim… Então… Você quer fazer alguma coisa? Tipo, amanhã… Se você quiser.

– Quero!

Minha voz saiu mais fina do que nunca. Merda.

– A gente podia ir ao cinema, se você quiser. Pode chamar os meninos.

Merda! Agora se eu não chamar ela vai achar que eu só quero ir com ela! Mas eu só quero ir com ela. E agora? Ela não pode saber! Ela só quer ir ao cinema, quer que eu leve um monte de gente. Ela não quer ficar comigo, deve querer ficar com um deles. O que eu faço? Preciso responder… Logo!

– Claro, vou falar com eles.

Merda!

 Ok! Te vejo amanhã então.

Tá, ela queria que eu levasse um monte de gente, mas ela também  queria que eu fosse. Mesmo que não fosse para ficar com ela, nós nunca tínhamos saído juntas e eu estava muito nervosa. Nunca um domingo demorou tanto para chegar. Até que ele chegou.

O Dario e o Gabriel já estavam lá quando eu cheguei. O Paulo não ia. Ela demorou muito para chegar. No meu estado de nervos um minuto parecia um ano, então imagine mais de uma hora, pois foi o tempo que já tinha passado da hora que tínhamos marcado.

– Ela não vem.

– Vem sim, relaxa.

– Não. Vamos embora.

– Ela veio.

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